Autor: Daniel Blum - moda para homens
Posts publicados por Daniel Blum - moda para homens
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Desde moleque sou fascinado pelas palavras: livros, teatro, letras de música e gírias do cotidiano. Atualmente ando intrigado com um novo dialeto utilizado na cidade de São Paulo, principalmente por nós, cuecas. Certamente você já teve contato com ele, mas não ligou o nome a pessoa. Mas não se preocupe amigo, porque hoje apresento formalmente a você o “Portugueto”.

Trata-se de um dialeto que nasceu na periferia, ganhou voz com os rappers e foi bizarramente tomando de assalto (as vezes à mão armada mesmo…) os playboyzinhos de plantão. Afinal, já falando em portugueto: Esses prayboy tá sempre brisano*.
Quer falar o dialeto? Siga as regras abaixo:
1) “Amigos” não existem mais. No portugueto, eles são “os truta”, “os mano”, “os véio”, “os bródi”. E “as mulheres” ou “garotas”, são “as mina” ou “os filé” (quando gostosas, claro).
Mencionar um grupo de pessoas nos leva a segunda” regra do portugueto:
2) Não existe mais concordância pro plural. Não importa a quantidade das “bagaça” só o artigo precedente ao substantivo e ao verbo estão no plural.
Dica: Pratique com seu chefe, tranquilo como se recitasse um trecho do “Primo Basílio”. Para dizer “Vou ao cliente levar as campanhas que já estão prontas.” use: “Vô colá lá no maluco, levá as bagaça que tá pronta.”
Quer acelerar sua prática? Conheça uma regra básica:
3) O Portugueto institui o fim do “LH” e cria novas palavras como “Baguiu”, “baruiu”, “fio” (não o elétrico, o do pai com a mãe mesmo). Dica: Chegue pro motoca da sua empresa e diga: “Mano, faz um corre que o Chuqui Norris dos maluco qué o bagui lá agora.
Senão o Zé Piqueno apaga nóis.” Muito provavelmente ele entenderá: “Cara, por favor vá com urgencia ao cliente que o chefe dele quer os documentos com urgência. Senão, nosso chefe nos mata.”

Dica muito útil: O sotaque nativo do dialeto chega até a excluir a última vogal da palavra. Pronuncia-se “Bagui” (a palavra “bagulho), “barui” (barulho), “fii” (filho). Esta regra deu origem a refinada expressão “bagarai – novo sinônimo do advérbio “muito”.
Adivinhe você a etmologia da expressão. Não posso explicá-la pois temos crianças acessando o blog, não é mesmo?!
4) Está banida a letra “r” do infinitivo de cada verbo. Você pode dizê, trazê, mintí, fazê tudo sem a letra “R” no final, que tá valendo. É uma loucura, você pode até incluir um acento pra marcar o tempo do verbo sem se preocupar. Afinel ele é facultativo.
Você pode ver que o Portugueto é ultra-flexivel, não? De início pode até parecer bacana, mas não é muito não. Falando sério, me pergunto quais as razões dessa maneira de falar ganhar um espaço expressivo entre a elite brasileira. Entendo quem nunca estudou numa escola bacana errar concordâncias verbais ou nominais (quando substantivo, adjetivo e verbo concordam em gênero e número). Mas me assusta a idéia deste dialeto ser um movimento de pura preguiça mental perpetuado as próximas gerações por pessoas que poderiam ler e escrever mais e melhor.
Sem perceber a gente começou a associar este português horrendo do gueto como papo de malandro, de macho e isso não é verdade. Chamar tudo de “baguiu” celebra um vocabulário pobre, descendente da falta de leitura, primo da falta de informação, pai e mãe da falta de reflexão. Nada a ver com esperteza ou macheza.

Se a elite cultural adere sem resalva a este dialeto, ao invés de multiplicar, desvaloriza seu conhecimento para pessoas jovens e menos instruídas. Ok, ninguém precisa chegar no boteco e dizer “ao estimado senhor atendente que gostaria de ingerir uma cerveja o mais breve possível, por obséquio.” Mas pedir uma cerveja ao garçom pode ser feito no bom e velho português. Claro que algumas das gírias são divertidas, fazem sentido e devem sim entrar no nosso dia a dia, mas vocabulário e repertório são bons e a gente gosta. Certo, mano?
* Tradução para português: Esses playboysinhos estão constemente distraidos.
Daniel Blum é colunista do Moda Para Homens, comportamento com a D-Vision.

Quando for sair com Ela, o ideal é não pensar demais.
No máximo, pense duas vezes: uma vez no seu bem-estar e outra vez bem-estar dela, está ótimo.
Eu sei que não estamos falando sobre sair com qualquer uma. É ELA. A que dificultou a realização da sua estratégia, te atraiu só pelo jeito de rir baixando o olho, mexendo no cabelo e acabou segurando sua atenção. Aquela que você achou melhor preservar da galera. Sim amigo, ELA.
Agora você já fez o complicado: pensou “Força e honra” como o Maximus Meridius (Gladiador, 2000) e chamou pra sair. Marque pontos no seu próprio placar e mantenha-os em mente. Um bom jogador sabe ler a partida. E embora seja mais complicado jogar com Ela, é bom esse feeling de que uma simples pelada (no sentido esportivo da palavra. Ou não) inesperadamente pode se tornar um clássico do campeonato.
Aí você que é muito tranquilo, se surpreende num momento “Noel Rosa”: com que roupa eu vou? Digo, meu velho, que o visual nessa hora só tem um item indispensável: SUA Personalidade. Correção: a melhor versão da sua Personalidade.
Por favor não invente de sair de calça skinny se você mal saiu do semi-bag dos anos 90. Se você gritou “força e honra” com a calça saint-tropeito e colou, é nessa que você deve apostar! – Desculpe se o bom-humor me levou ao devaneio. Sei que lendo esse blog você não sai por aí com uma calça feita há 20 anos, mas fiz meu ponto – não queira parecer outro cara no primeiro encontro (mais rico, mais bonito, com mais pegada) porque vai tirar sua espontaneidade. E isso tira seu olho dela, sendo que desatenção não ajuda no placar.
Se você tiver um estilo mais desencanado, mostre o melhor dele: uma camiseta com a sua cara e um jeans bacana.
As peças não precisam custar muito.

É só estarem no seu tamanho (um bom corte faz milagre e independe de etiqueta ou preço), limpas e cheirosas. É simples. Uma amiga me confessou que ao sair com um cara com a camiseta sempre suja, só projetava seu futuro no supermercado comprando Vanish e lavando roupa. Aí vai mal né, rapaz? Até pode acontecer, mas você tem muito a provar antes dela cogitar um “tanque” em nome do amor.

No nosso mundo, em Marte, vamos jogar wii na casa de um brother com mostarda na camiseta tran-qui-los. Ninguém vai morrer. La em Vênus? Tsc tsc. Tenta de novo. Elas querem a sensação de que a gente sabe e quer se apresentar bem, com menos tempo e preocupação que elas.
Releia o post até aqui e comprove que em nenhum momento eu disse que mulher é fácil de entender e/ou agradar. Nessa longa estrada da vida (como diriam Milionário e José Rico), conclui é que a maioria delas gosta de ser “cuidada” e o cara saber SE cuidar é bom sinal. Mostra-se um companheiro com quem se pode contar.
E já que é fato que você só vai conseguir cuidar dela do seu jeito, então esqueça as fórmulas e mostre de início o melhor dos seus itens “de fábrica”.
Se você tem um estilo mais certinho, aposte naquela polo que te mostra confiável e confiante. Valorizar o peitoral, com moderação, é sempre uma ótima roubada no jogo com a mulherada.
Se você é do tipo antenado, aposte num look que o resto dos caras está começando a usar ou só vai usar no ano que vem. Exemplo: o cachecol ficou esquecido pela moda masculina por muitos anos. Há um ou dois invernos voltou com toda força. Quem aderiu logo a sua volta, se mostrou “tendência”. Se você fizer isso Ela certamente verá amigos te copiando e reforçando sua liderança ou personalidade. Características macho alpha que você só não capitaliza se for lesado! Dica: os coletes são uma grande tendência desse verão.
É necessário se adequar as situações: bermuda na praia, blaser num evento social, mas o ponto aqui é nunca perder seu estilo de vista. Deixa você à vontade, o que traz um feeling incrível.

Aí você pergunta: e se meu estilo não colar com Ela? Entao, meu amigo, talvez “Ela” seja outra, que consegue enxergar o que você tem de melhor e se sente muito bem ao seu lado. Aproveite seu estilo pra encontrá-la tranquilo.
Começar, na vida, é sempre complicado. Requer coragem, informação e questionamento em qualquer atividade: trabalho, estudo, relacionamento…
Mas sabe de uma coisa? Pra qualquer destas opções só existe um pre-requisito essencial: DETERMINAÇÃO. Você pode estar aí viajando sobre vários outros, mas no final, desdobrados em 1.500 formas diferentes, os pré-requisitos ainda se reduzem a boa e velha determinacão.

Penso nisso toda vez que vejo o Shia LaBeouf interpretando. Atualmente com 24 anos e status de hot shot em Hollywood, o cara ganhou notoriedade com o filme “Paranóia” em 2007 e desde então só acumula respeito e espaço na indústria cinematográfica.

Capa da Revista GQ com Shia Labeouf
Shia entrega atuações intensas e verdadeiras desde sua estréia como protagonista de um filme para o público adulto (“Paranóia”). Muito se especulou sobre um ator pouco conhecido até 2007, protagonizar “Transformers” mas ele construiu um herói adolescente convincente e mergulhou no universo da infância de uma geração anterior a sua. Resultado? Sucesso de crítica, público e Megan Fox. Oi? (você pergunta) – Sim, com sorriso nos rosto, ele pegou “A” MEGAN FOX, amigo, diante do mundo todo.
O cara tem meu respeito por exibir um atributo em extinção: segurança legítima. Por obséquio, não confundir com arrogância ou pretensão, rapá! O cara é incisivo no seu trabalho para fazer o melhor e não forçar guela abaixo qualquer baboseira que ele faça.
Veja nas imagens de Shia fora das telas, andando de moto, skate, ou apresentando o Saturday Night Live tão cool e tranquilo quanto numa sessão de fotos ou numa prêmiação “gastando” aquele terno Armani.
Embora segurança seja construída por diversos fatores psicológicos, algumas coisas estão nas nossas mãos para ajudar, diante de um compromisso:
Preparação 1) – Local: Desculpa, mas se você é um corinthiano e não tem curiosidade de saber se seu ingresso pro jogo fica na Gaviões ou na Mancha verde, não reclama se voltar quebrado pra casa. É recomendável a quem vai a um compromisso estudar o local. Não chegar se desculpando por uma hora de atraso ou pálido por ter fugido de uma boca de fumo que você conheceu errando o caminho, podem ajudar seu estado psicológico em qualquer evento.
Preparação 2) – Estudar: OK, você não conhece profundamente a mulher, a empresa, a família da gata, mas pode mostrar uma ponta de interesse, né? Uma palavra pra você, campeão: GOOGLE. Uma pesquisinha boba vai te fazer chegar na entrevista sabendo se as ações da empresa estão em alta, que a família da gata mora na parte francesa e não inglesa do Canadá e outra série de informações fascinantes que podem faze-la confiar mais em você e render uma moral. Que se reverte em… faça os calculos.
Preparação 3) – Estar vestido dentro do contexto: Não estar de terno no show do NOFX ou de Crocks para conhecer o presidente da empresa ajudam demais na sua segurança. É surpreendente. Não precisa perder seu estilo, mas ter uma idéia da formalidade e demanda de esforço físico de um evento ajudam um tanto.

Veja o cara num look social:

Quem se prepara, sem dúvida tem mais tranquilidade, apesar de pouca idade ou experiência. Isso sim, é ser um cara “firmeza”. Acho que mesmo não estando mais com ele, a Megan Fox concorda.

Na semana passada, buscando o presente do Dia dos Pais, comprovei um fenômeno curioso: você de 20 anos, seu pai de 40 e seu chefe, de 30, podem se vestir iguaizinhos.
Pausa jornalística: há alguns anos esse fenômeno foi identificado pelo jornalista Adam Stembergh da New York Magazine como o surgimento de nova tribo:
os GRUPs (contração de grow up = adulto). Homens e mulheres de 30 ou 40 anos que aderem a tudo o que a cultura jovem lança de bacana, apesar de assumirem sua idade. Em contrapartida, tratam e educam as crianças como um mini-adulto (dão camiseta dos Ramones e Ipods para bebês, por exemplo).

Ontem no entanto, me atualizei e aprofundei no assunto, assistindo a um video do Justin Bieber (irmão mais novo da Débora Secco) com o Usher. Sim, as palvras Justin Bieber e aprofundar estão na mesma frase! Não seja primata e veja o video abaixo. É só assistir. Não precisa deixar a franja crescer!
A Conclusão: hoje todo mundo é meio Fábio Junior, só quer saber dos seus 20 e poucos anos.
No RG o Justin Bieber tem 16 anos e o Usher 31, mas na maneira de se vestir e se comportar, são muito similares. Sim, sabemos que o JB está tentando ganhar um público maior mostrando ser mais velho, mas precisamos notar que o Usher aos 31 anos está tentando parecer com ele. Meio jovem demais para um complexo de Peter Pan tão explícito? Não mais.
Vale lembrar que o penúltimo CD do Usher (“Here I Stand”, de 2008), que falava de fidelidade, maturidade e paternidade teve a vendagem MUITO inferior aos anteriores, que só falavam de ir pra balada e pegar a mulherada. Dois anos depois o cara se separou e lançou outro CD (Raymond vs Raymond, 2010). E do que ele está falando de novo? Hein? Hein? Balada e mulherada, meu amigo. As músicas poderiam trazer reflexões sobre o Tibet, a faixa de Gaza, o governo Obama, mas não foi BEM o caso.
É curiosa essa sensação de que todo mundo tem 20 anos. Vejam as fotos de 3 personalidades brasileiras atuais:

Kayky Brito, de 21 anos, Daniel de Oliveira de 33 anos e Marcelo Rosenbaum de 41. A maneira de se vestirem é muito semelhante.
Este assunto é super extenso, mas os extremos chamam a atenção pela esquisitice:
- Os moleques de 16 como o Justin Bieber, com um estilo cool, moderno, mas over produzidos para a idade.
- E os quarentões que usam camisetas com piadinhas de Centro Acadêmico de Faculdade.
Moral da história: é bacana ser um adulto antenado ou um garoto precoce, mas não dá pra perder o RG de vista. Você acha mesmo que o Justin Bieber saberia o que fazer com uma Beyonce na mão? (ele vive alardeando uma tara por ela…) Nem com manual, rapá! Ao mesmo tempo, você acha que o Usher tá curtindo a vida de balada tanto assim, depois de fazer belas canções sobre o filho, o amor eterno, a esposa?
Tudo no seu tempo, mesmo fora dos 20 e poucos anos.
Daniel Blum – escreve semanalmente no modaparahomens na sua coluna D-Vision.

Se você já viu algum trabalho do Javier Bardem, entendeu o seguinte: o cara “não é bagunça”. Se você estava em Marte nos últimos anos, vai entender isso num teste rápido com qualquer mulher: peça opinião sobre ele e agüente aí, meu amigo, uma meia hora de suspiros.
Um Oscar de “Melhor Ator Coadjuvante” em 2008 e um prêmio de “Melhor Interpretação Masculina” do Festival de Cannes 2010, o credenciam como um intérprete extremamente competente. E que ganhou notoriedade com estilo, fora das telas.
Mesmo não sendo lá muito “tendência” na moda, Javier tem um estilo com um ingrediente algo que parece óbvio, mas é um imã às mulheres e muito útil no nosso dia-a-dia: Masculinidade. Macheza, como diria meu avô.
Não, não responda ainda, você que começou a achar este post homofóbico. A idéia não é essa. A lição do cara é que, por mais que eu curta um visual modernoso, um pouco de sobriedade ajuda a impor respeito. Transfira isso para uma reunião de negócios ou um jantar pra conhecer o sogro e considere os benefícios.

Vejam que o Javier Bardem sempre usa ternos, cores e peças básicas e bem cortadas. Roupa sem frufru, grandes detalhes ou estampas. Clean até mesmo nos looks esportivos.


Ter poucos elementos no vestuário deixa espaço para você e seu discurso se destacarem, ao invés de uma “sacadinha” qualquer. Claro que não faz milagre, ok? “Como diz o “Profissionais do Ano”, nada substitui o talento”, mas sobriedade de fato contribui para credibilidade e às vezes, segurança.

Um exemplo da segurança do Javier Bardem? (ignore a camisa) veja a cena abaixo do filme “Vicky, Cristina, Barcelona”. Poucos atores e/ou caras na vida real fariam este convite num restaurante pra duas estranhas para viajarem e transarem com tanta naturalidade e sucesso (tudo bem é filme)! No final, a Vicky topa. A Cristina topa. Até a Barcelona toparia!
O foco deste post é observar como em muitos momentos da vida, “menos é mais”.
E veja bem: sóbrio é diferente de velho!
Outras razões para admirar o cara? Nas horas de lazer, ele:
1) Usa camisas de banda de rock. #80’s never die!
E por ultimo e não menos importante:

2) Pega a Penélope Cruz.
Você acha que isso é bagunça?
Daniel Blum – é o novo colaborador do Moda Para Homens.